NR-1 exige metodologia de avaliação de risco — e isso é estratégico
A NR-1 não diz qual metodologia usar mas exige que ela seja documentada e rastreável, transformando descumprimento de NR em risco máximo automático no PGR.
Lucas Melo
Ortopedista, MD-PhD — CEO e co-fundador da Straloo
[3/7] Estudo guiado — manual NR-1
A NR-1 exige metodologia de avaliação de risco. Mas não diz qual.
Isso parece uma facilidade. Na prática, é uma das maiores armadilhas e desafios.
Porque a norma deixa a escolha para a organização, mas exige que essa escolha seja documentada, fundamentada e rastreável.
O subitem 1.5.4.4.2.2 é claro:
critérios de gradação de severidade
critérios de gradação de probabilidade
níveis de risco resultantes
critérios de classificação e tomada de decisão
Tudo isso tem que estar num documento. E o fiscal pode perguntar sobre cada um.
O problema é que muitas empresas escolhem uma metodologia sem entender o que estão escolhendo.
A metodologia não sustenta o que está escrito. E quando o risco ergonômico entra na equação, isso fica ainda mais evidente.
Porque a NR-1 (subitem 1.5.4.4.5.1) vincula a gradação da probabilidade diretamente ao cumprimento dos requisitos de NR.
O próprio Manual do MTE deixa isso claro. Se a organização descumpre um requisito específico de NR, a probabilidade do risco vai automaticamente para a gradação máxima no PGR.
Não precisa medir. Não precisa calcular. O descumprimento já define a graduação.
O exemplo que o manual usa é simples: assento fora dos critérios da NR-17.
Cadeira inadequada no posto de trabalho → probabilidade máxima no inventário de riscos.
Traduzindo para quem não é técnico: o PGR tem uma escala de prioridade de ação. Risco na graduação máxima exige resposta imediata. Não em meses. Imediata.
Então a empresa que tem laudo ergonômico apenas na gaveta não está só irregular. Ela tem um risco classificado como máximo no documento que ela mesma assinou, com prazo de ação que já venceu.
É diferente de um problema de compliance. É um problema de governança.
A metodologia do PGR não é burocracia. É o que separa gestão de risco real de papel bem formatado.
Você sabe qual metodologia o PGR da sua empresa usa?