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FAP como gatilho de urgência para saúde corporativa

Empresas que não exploram o FAP de forma estratégica deixam na mesa o que talvez seja a maior oportunidade de ROI dentro da própria estrutura tributária.

Lucas Melo

Ortopedista, MD-PhD — CEO e co-fundador da Straloo

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FAP como gatilho de urgência para programas de saúde corporativa.

Semana passada, conversei com o CFO de uma grande empresa de capital aberto.

Ao falar sobre o FAP, percebi que o tema era "novo" para ele.

Não o conceito em si. Ele conhecia o FAP (profissional super experiente). Mas nunca tinha parado para pensar no que aquilo significa como decisão estratégica para a companhia, e como aquilo poderia impactar, financeiramente, a operação.

Esse momento me chamou atenção.

Porque estamos falando de empresas com pressão real: combustíveis, mudança de escalas, custo operacional crescente. E existe um vetor de saving concreto, calculável, dentro da própria folha de pagamento, que está sendo subutilizado.

Quando projetamos os cenários, até o mais conservador revelou o tamanho da oportunidade.

Resultado: reunião com RH e SESMT marcada para essa semana.

Fui treinado como "ortopedista tradicional", dentro do consultório e centro cirúrgico. Não tive uma formação prévia em saúde ocupacional.

Mas no último ano, mergulhei no tema. E o que mais me chama atenção é exatamente isso: empresas que não exploram o FAP de forma estratégica.

Talvez seja a maior oportunidade de ROI e saving em programas de saúde corporativa que existe hoje — e ela já está dentro da estrutura tributária da empresa.

Para quem não conhece a mecânica:

1. Como é calculado o FAP

O FAP varia de 0,50 a 2,00. É calculado por CNPJ, todo ano, com base nos últimos dois anos de afastamentos.

Três componentes entram no cálculo:

Frequência: quantos eventos acidentários ocorreram

Gravidade: o peso de cada tipo (B91, B92, B93, B94)

Custo: o valor que a Previdência pagou por cada caso

2. O impacto na folha

A fórmula é direta: Folha × RAT × FAP = tributo SAT

O RAT é fixo por setor. O FAP é variável e individual.

Uma empresa com folha de R$ 10M e RAT de 3% paga entre R$ 150K (FAP mínimo) e R$ 600K (FAP máximo) por ano.

Quatro vezes mais. Na mesma empresa. Com o mesmo setor de atividade. A diferença está no que a empresa fez — ou deixou de fazer — nos dois anos anteriores.

O FAP não é tributo. É espelho.

E você, já teve alguma experiência com gestão estratégica do FAP?